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Para a fase de recombinar existe um momento essencial: sonhar acordado. Durante o “sonho acordado” ocorre um diálogo eléctrico entre as partes da frente e de trás do cérebro com os sulcos pré-frontais (localizados atrás dos olhos). Toda esta actividade mental tem o objectivo de explorar a base de dados interna procurando, mais descontraidamente, estabelecer relações. O resultado é a capacidade de reparar em novas ligações, e de ver as sobreposições que normalmente negligenciamos. Este tipo de pensamento é a essência da criatividade.

Mas não basta sonhar acordado. Deixar a mente vaguear é a parte mais fácil. A parte difícil é manter a consciência suficiente para, mesmo quando se está a a sonhar acordado, conseguir interromper-se a si próprio e reparar num processo criativo. Mas o processo criativo exige persistência e capacidade de concentração. A criatividade não se limita a momentos de relaxamento e associações repentinas. Mesmo uma grande eureca precisa de ser trabalhada. Trabalhar a afinação da ideia, limar casa ponta de ideia, utilizar o trabalho de memória para acrescentar informação válida e útil ao pensamento glorioso.

Como se fosse possível, chegarem umas pessoas criativas e, pronto, inventarem coisas. Como se fosse assim tão fácil. Eu acho que as pessoas têm de se lembrar que a criatividade é um verbo, um verbo que consome muito tempo. É preciso pegar numa ideia que se tem na cabeça e transformar essa ideia em qualquer coisa real. E isso é sempre um processo longo e difícil. Se o fizermos como deve ser, percebemos que dá trabalho. Milton Glaser, lenda viva do design gráfico

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in, IMAGINE de onde vem a criatividade – Jonah Lehrer